Wednesday, 17 October 2007




19 Oct/Out

10:00 Registration / Inscrições

LUÍS FIRMO (PT) Transforma

ISABEL SABINO (PT) Artist and Researcher / Artista e Investigadora

collaboration based at Chelsea College of Art and Design in London / Equipa de investigação colaborativa sediada no Chelsea College of Art & Design em Londres

12:30 Questions / Perguntas

13:00 Lunch / Almoço

FRANCESCA FERGUSON (UK) Journalist and Curator / Jornalista e Curadora

IGOR DOBRICIC (CS) Dramaturge / Dramaturgo

15: 50 Break / Intervalo

HEITOR ALVELOS (PT) Designer and researcher / Designer e Investigador

DOLORES WILBER (US) Artist and Performer / Artista e Performer

17:20-18:00 Questions & Discussion / Perguntas & Discussão

20:00 Launch of publication DETOURS II / Lançamento da publicação DESVIOS II

20 Oct/Out

9:00 Registration / Inscrições

GABRIELA VAZ-PINHEIRO (PT) Artist and Researcher / Artista e Investigadora
Curador, Moderator, Editor DESVIOS / DETOURS / Curadora, Moderadora e Responsável Editorial DESVIOS/DETOURS

LORENZO BENEDETTI (IT) Curator / Curador

ÁLVARO DOMINGUES (PT) Geographer and Researcher / Geógrafo e Investigador

NUNO GRANDE (PT) Architect and Researcher / Arquitecto e Investigador

11:50 Break / Intervalo

STEPHEN WRIGHT (UK) Researcher / Investigador

12:40 Questions & Group Registration / Perguntas & Inscrição nos

13:00 Lunch / Almoço


Key Participants
FRANCESCA FERGUSON (UK) Journalist and Curator / Jornalista e Curadora
SARA MATOS (PT) Artist and researcher / Artista e investigadora

Key Participants
HJELDE (NO) / MARSHA BRADFIELD (UK) Research collaboration based at
Chelsea College of Art and Design in London / Equipa de investigação colaborativa sediada no Chelsea College of Art & Design em Londres

Key Participants
DOLORES WILBER (US) Artist and Performer / Artista e Performer
HEITOR ALVELOS (PT) Designer and researcher / Designer e Investigador

Key Participants
CARLA CRUZ (PT) Artist / Artista
CRISTIANA ROCHA (PT) Dancer and Performer / Bailarina e Performer
LORENZO BENEDETTI (IT) Curator / Curador

Audience and other speakers are invited to sign up for the group of their choice.




Luís Firmo is a Cultural and Arts Manager and Curator, holds a Degree in Product Design from the Faculty of Fine Arts of the University of Lisbon (FBA-UL) and a Sculpture qualification from AR.CO. He holds a Post-Graduation in Arts Management from the Instituto Nacional de Administração (INA), Fundação CCB-FLAD, and a Post-Graduation in Curatorial Studies from FBA-UL-Calouste Gulbenkian Foundation. He develops a continuous activity as creative, as teacher and as manager and curator in contemporary arts. He is a Co-Founder Member and Chairman of Transforma AC, where he is currently responsible for the Artistic Direction and Programming.



Luís Firmo é Gestor e Programador Artístico. Licenciado em Design de Equipamento pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBA-UL) e formado em Escultura pelo AR.CO. É Pós-Graduado em Gestão das Artes pelo Instituto Nacional de Administração (INA), Fundação CCB-FLAD, e em Estudos Curatoriais pela FBA-UL-Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). Tem desenvolvido actividades diversas como criador, formador e como gestor e programador de artes contemporâneas. É membro Fundador e Presidente da Direcção da Transforma, onde é responsável pela Direcção Artística e Programação.

+info: desvios@transforma.mail

CRISTIANA ROCHA (PT) Dancer and Performer

“Public Presentation” is a project of artistic collaborations which attempts to put into perspective ideas and mechanisms of public presentation in the context of performance. During the process it brings together interventions that use contexts of production, time and space from other projects, trying to be in a constant production of intermediate results.
The presentation of the public through actions with a participatory character where the observer is invited to engage with the work has been an area of particular interest to me. First, because of the direct relation space it opens, which confuses the protagonists, the time of creation and reception and also the degrees of performativity. Second, because it dilutes the boundaries between “same” and “different”, between “real” and “fiction”, between presentation and representation, in a permanent dialogue between life and art. The Duchamp’s notion of “infrathin”, the idea of the public as multiple and diverse and the translation of codes in processes, constitute bases of work that I would like to develop further. Some aspects of “Public Presentation” will be tested within the Working Groups for DETOURS III.

Cristiana Rocha was born in Matosinhos, 1974. Degree in Clinical Psycology with Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Began her training as a dancer with Luísa Ramos and held a training scholarship with Companhia Nacional de Bailado (92/93). Her training in contemporary dance in Porto, Lisboa and New York, led to contact with many creatives and different movement and composition techniques. Has worked with Antonio Carallo, Bernardo Montet, Nigel Charnock, Samantha Van Wissen, Wim Vandekeybus, Vera Mantero, Rui Nunes, Bruno Dizien, Howard Sonenklar, Will Sawnson, Kurt Koegel, Madalena Vitorino, Paula Castro, Marion Gough, Miguel Pereira, Filipa Francisco, Xavier Le Roy and Tino Sehgal, João Fiadeiro, Cláudia Dias and Rogério Nuno Costa, among others. Attended the course “O corpo pensado (o corpo no pensamento)”, organised by Museu de Serralves (Nov. 2002 a Feb. 2003), and the seminar run by Maria José Fazenda “Traços da criação coreográfica actual” (Serralves – Dec. 2006). Participated as dancer in choreografies by Ana Figueira, Paula Varanda, Cosmin Manolescu (Pépinières Européennes), Pedro Carvalho and Joclécio Azevedo. Performed in “Sursauts”, of Mathilde Monier (Serralves em Festa, 2005), “As Atletas.Porto.2003”, of Nadia Lauro in collaboration with Frans Poelstra and Laurence Crémel, also performed in the “dance constructions” of Simone Forti and in “Satisfying Lover” of Steve Paxton (Fundação de Serralves). Participation as creative/performer in V Rencontres Européenes de Création Choreographique. Since 1997, develops her own choreographic research, performing solo, in co-productions and as creative director of collaboration projects. Directed the workshop of performance and movement in Espaço t (1999–2003), where she worked with young people with disabilities, producing annually choreographic work within the project “Corpo Evento”. Between 1999 and 2005 participated in projects for the Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto working with children, pre-teenage and adolescent youngsters living in social housing estates. Since October 2000, teaches Técnicas de Movimento Contemporâneo I and II for the Theatre Course at Escola de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) . Founder member and, since Dec. 2005, general director of the Núcleo de Experimentação Coreográfica (NEC).

CRISTIANA ROCHA (PT) Bailarina e Performer

“Apresentação Pública” é um projecto de colaborações que procura colocar em perspectiva as ideias de apresentação pública no contexto do espectáculo. Propõe intervenções ao longo do processo que utilizam os contextos de produção, o tempo e o espaço de outros projectos, procurando estar em constante produção de resultados. A apresentação do público, através de acções com carácter de participatividade em que o observador é convidado a comprometer-se com a própria criação, tem sido uma área que tem despoletado em mim um interesse particular. Primeiro, pelo espaço de relação directa que se abre e que baralha os protagonistas, pelo tempo de criação e de recepção, assim como pelos graus de performatividade presentes. Segundo, porque se diluem as fronteiras entre o mesmo e o diferente, entre o real e a ficção, entre a apresentação e a representação, num permanente diálogo entre a vida e a arte. A noção duchampiana de “infrathin”, a ideia de público como um sujeito múltiplo e diverso e a tradução de códigos em processos, constituem bases de trabalho que me proponho aprofundar. Alguns aspectos do projecto “Apresentação Pública” serão testados para os Grupos de Trabalho de DESVIOS III.

Cristiana Rocha nasceu em Matosinhos, 1974. Licenciada em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Iniciou os seus estudos de dança com Luísa Ramos e foi bolseira estagiária da Companhia Nacional de Bailado (92/93). Fez formação em dança contemporânea no Porto, Lisboa e Nova Iorque, onde contactou com diversos criadores e técnicas de movimento e composição. Destaca o trabalho realizado com Antonio Carallo, Bernardo Montet, Nigel Charnock, Samantha Van Wissen, Wim Vandekeybus, Vera Mantero, Rui Nunes, Bruno Dizien, Howard Sonenklar, Will Sawnson, Kurt Koegel, Madalena Vitorino, Paula Castro, Marion Gough, Miguel Pereira, Filipa Francisco, Xavier Le Roy e Tino Sehgal, João Fiadeiro, Cláudia Dias e Rogério Nuno Costa, entre outros. Frequentou o curso “O corpo pensado (o corpo no pensamento)”, organizado pelo Museu de Serralves (Nov. 2002 a Fev. 2003), e o seminário orientado por Maria José Fazenda “Traços da criação coreográfica actual” (Serralves – Dez. 2006). Participou como intérprete em coreografias de Ana Figueira, Paula Varanda, Cosmin Manolescu (Pépinières Européennes), Pedro Carvalho e Joclécio Azevedo. Integrou a performance “Sursauts”, de Mathilde Monier (Serralves em Festa, 2005), “As Atletas.Porto.2003”, de Nadia Lauro em colaboração com Frans Poelstra e Laurence Crémel, as “dance constructions” de Simone Forti e “Satisfying Lover” de Steve Paxton (Fundação de Serralves). Participou como criadora/intérprete nos V Rencontres Européenes de Création Choreographique. Desenvolve, desde 1997, a sua própria pesquisa coreográfica, apresentando criações a solo, co-criações e assumindo a direcção artística de projectos de colaboração. Dirigiu o atelier de expressão corporal no Espaço t (1999–2003), onde trabalhou com jovens portadores de deficiência, realizando anualmente trabalhos coreográficos inseridos no projecto Corpo Evento. Integrou desde 1999 a 2005 projectos da Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto intervindo junto de crianças, pré-adolescentes e adolescentes de bairros sociais. É, desde Outubro de 2000, colaboradora da Escola de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), onde lecciona a disciplina de Técnicas de Movimento Contemporâneo I e II no curso de teatro. É membro fundador e, desde Dez. de 2005, directora geral do Núcleo de Experimentação Coreográfica (NEC).



Current interests are questions of gender in society and art, and more inclusive ways of “making art”, seeking the public’s participation.

Born in 1977, Vila Real. Studied art in Trofam and in Porto, Escola Secundária Soares do Reis. Attended the 1st year of Painting in ARCA ETAC, Coimbra but ended up doing a Degree in Sculpture in 2001 with Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Between 2001 and 2003 took the Master in Fine Arts with the Piet Zwart Institute, Willem de Kooning Academy, Rotterdam Holland, in collaboration with Plymouth University - UK. These two years were a turning point for interactive projects, in which events, situations or platforms are created, and in which the audience is invited to take active part.Collaboration and creation of several collective projects, among which: Caldeira 213, ZOiNA (Feminist Collective of Artistic Intervention - Colectivo Feminista de Intervenção Artística), Ateliers-Mentol, Identidades, Clanitica, GARBA (residence for young artists, Italy), Room (Artists run Space, Rotterdam); also work in partnership with other artists such as: Isabel Carvalho, Pedro Nora, Catarina Carneiro de Sousa, Ângelo Ferreira de Sousa, Suzanne van Rossenberg, Nina Hoechlt, Jocelyn Cottencin, Karin de Jong, Sabine Funk, Francesco Ventrella, Cláudia Van Dick, Tina Sejberg, Mónica Faria. Currently organising the exhibition project and blog “All My Independent Women”, the Blog “Porto Público”. Member of the Affinity Group of the European Feminist Forum. Co-ordinates projects for the Grupo de Intercâmbio Artístico (Artistic Interchange Group) between Brasil, Cabo Verde, Moçambique and Portugal called Identidades. Responsible for the exhibition space of Gesto Cooperativa Cultural no Porto.


Áreas de interesse actuais prendem-se com questões de género na sociedade e na arte, e formas de fazer arte mais inclusivas, procurando a participação do seu público.

Nasceu em 1977 em Vila Real. Passando pelo ensino artístico na Trofam depois no Porto na Escola Secundária Soares do Reis. Frequentou o Primeiro ano de Pintura da ARCA ETAC em Coimbra e Licenciou-se em Escultura, 2001 pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Entre 2001 e 2003 realizou um Mestrado em Belas Artes pelo Piet Zwart Institute, Willem de Kooning Academy, Roterdão, Holanda, em colaboração com a Plymouth University, Reino Unido. Estes foram anos de viragem para projectos interactivos, em que eventos, situações ou plataformas em que o publico é convidado a tomar parte activa são criados.
Colaboração e criação de diversos colectivos, entre eles: Caldeira 213, ZOiNA (Colectivo feminista de intervenção artística), Ateliers-Mentol, Identidades, Clanitica, GARBA (jovens artistas em residência, Itália), Room (Artists run Space, Roterdão); bem como trabalho em parceria com outros artistas: Isabel Carvalho, Pedro Nora, Catarina Carneiro de Sousa, Ângelo Ferreira de Sousa, Suzanne van Rossenberg, Nina Hoechlt, Jocelyn Cottencin, Karin de Jong, Sabine Funk, Francesco Ventrella, Cláudia Van Dick, Tina Sejberg, Mónica Faria. Organiza no presente o projecto expositivo e blog “All My Independent Women” e dinamiza o Blog “Porto Público”. Membro do Affinity Group do Fórum Feminista Europeu. Coordenação de projectos para o Grupo de intercâmbio Artístico entre Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal – Identidades - e organização do espaço expositivo da Gesto Cooperativa Cultural no Porto.


SARA MATOS (PT) Artist and researcher

«Conversations and, in general, any kind of social currency are considered to be relevant artistic methodologies, as well as engaging others into the artistic experience.»*
I took this statement as my subject and point of departure. If contemporary art practices can rely on a conversation methodology, is it possible to consider the moment of «encounter» as a criterion to judge and analyze them? If so, in what way? What kind of parameters could be used to reckon or guesstimate the effectiveness of the «encounter»? Furthermore, does this possibility means that the new criteria of artistic judgment are performative on their own; do they change in face of a specific «encounter»? How is it possible to sustain an artistic discourse when the product of an artwork almost does not exist or exists only as a “track”, a “stimulus” or an “impalpable inscription”? Should I deduce that the action developed, as well as the object produced, are still relevant or do they exist as pretexts to shape the moment of «encounter» in itself? Does Art still maintains roots/relations with modus operandi and form, when at the end of the day «new relational practices» seem to be willing to deconstruct any connection to methodologies, forms or traditional disciplines? It seams to me that «relational practices» feel horror before consumable final objects and before traditional art history when, in fact, they can not renounce to them. How, then to consider and critically engage results from these discursive practices when they require interpretative codes stemming from a previous formal practice? [*Gabriela Vaz-Pinheiro – Curator of the 3rd International Forum on Contemporary Art and Thought]

Sara Antónia Matos (1978) develops her activity between artistic practice and curatorial projects. She graduated in sculpture at the Faculdade de Belas Artes da Universidade Lisboa and has a Masters in Curatorial Studies from the same university, having oriented her most recent work towards the conception of artistic programmes. Presently, she is member of the administration board of the Armazém das Artes' Foundation, and conceived the programme Spaces in contemporary Art (2007/08), for the Associação Oficinas do Convento, thus giving continuity to the Margins programme (2006). She has taken part in several exhibitions as an artist, published texts, is an editorial coordinator and takes part in projects in which she does not dismiss the direct contact with the creators, since she regards experience as an investigation tool. At the moment she is doing a PHD with the project: “Inhabiting spaces – the experience of space through the artistic practice”. She aims to establish, with critical writing, the relation between visual arts and architecture, through the intervention and construction of the place. Her principal investigation interests are related with the ideas of «sacer, constructio and religare».

SARA MATOS (PT) Artista e investigadora

«Conversas e, no geral, qualquer tipo de divisa social podem ser considerados como metodologias artísticas relevantes, bem como envolver outros na experiência artística.»* Tomei estas palavras como assunto e ponto de partida. Se as práticas artísticas contemporâneas podem apoiar-se numa metodologia de conversação, será possível considerar o momento do «encontro» (encounter) como um critério para as avaliar e analisar? Se sim, de que modo? Que tipo de parâmetros poderiam ser utilizados para calcular e presumir a eficácia do “encontro”? Mais ainda, será que esta possibilidade significa que os novos critérios de avaliação artística são por si próprios performativos; será que mudam frente a um específico “encontro”? Como é possível suster um discurso artístico quando o produto do trabalho artístico quase não existe ou existe apenas enquanto “trilho”, “estímulo” ou “inscrição impalpável”? Deveria deduzir-se então que a acção desenvolvida, assim como o objecto produzido, mantêm relevância ou será que existem como pretextos para dar forma ao momento do “encontro” em si mesmo? Será que a Arte ainda preserva as suas raízes/relações com o modus operandi e com a forma, quando, ao fim e ao cabo, “as novas práticas relacionais” parecem pretender desconstruir qualquer ligação às metodologias, formas ou disciplinas tradicionais? Parece-me que as “práticas relacionais” têm horror perante objectos finais de consumo e perante a história da arte tradicional, quando de facto elas requerem códigos interpretativos que decorrem de uma prática formal anterior? [*Gabriela Vaz-Pinheiro – Curadora do 3º Encontro Internacional Sobre Pensamento e Arte Contemporâneos]

Sara Antónia Matos (1978) desenvolve a sua actividade entre a prática artística e a curadoria. Formada em escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade Lisboa e mestre em Estudos Curatoriais pela mesma universidade, direccionou o seu mais recente trabalho para a programação artística. Actualmente é membro do conselho de administração da Fundação Cultural Armazém das Artes, em Alcobaça e concebeu para a Associação Oficinas do Convento o programa Espacialidades na Arte Contemporânea (2007/08), que dará continuidade ao programa Margens (2006). Realizou exposições, publicou textos, é coordenadora editorial e participa em projectos artísticos, onde que não abdica de estabelecer trabalho de contacto com os criadores, uma vez que toma a experiência como ferramenta de investigação. Presentemente encontra-se a realizar doutoramento com o projecto teórico-prático “Habitando Espaços - a experiência do espaço a partir da prática artística”. Procura estabelecer criticamente a relação entre as artes plásticas e a arquitectura, através da intervenção e construção do lugar. Os seus actuais interesses de investigação prendem-se com as ideias de «sacer, constructio e religare».

Photo Foto: Sara Antónia Matos/Convento de Monfurado/2007



The unmistakably colonialist overtones of a “new expanded field” for art should come as no surprise in the qualification of relational spaces, for relational art practices have all too often shown themselves to be predatory upon the hitherto unexploited realms of the lifeworld into which they intrude and with which they often fraudulently claim to engage a dialogue, unconcerned with often dramatic discrepancies between their interests and agency as field expanders and the interests and agency of those who just happened to be wherever it was that the “field” suddenly expanded into… Part of the reason for this logic and rhetoric of expansion is that art really is colonising the lifeworld – and is doing so unselfconsciously as art – such that what is literally being expanded is the artworld. What is more interesting, however, is when art, without diminishing its mobility, seeks to engage with the real without expanding its empire; suggesting in effect that there is no need to expand its field to assert itself as art – and indeed that there may be some cases where it must deliberately foreground its own absence. With its often deliberately impaired coefficient of artistic visibility, Jochen Gerz’s 2-3 Streets project comes to mind in this respect, bringing together the artist’s insistence of the past several years on public authorship, and reflecting a shift beyond spectatorship... 2-3 Streets is a proposed exhibition, showing 2-3 streets without any noteworthy sites or occurrences, streets that could be found in any number of places. Though these happen to be in the formerly industrial area of the Ruhr Valley in Germany, they are typical of postwar cities with apartment buildings, stores, garages – nothing much worth mentioning or noticing. Indeed the criteria of their selection are at once their normalcy, and the fact that they are part of a neighborhood undergoing refurbishment, regeneration, rehabilitation or rededication. The “intervention,” as artists say, could not be greater: the streets and everything that is part of them is exhibited. Everything that happens, intentionally or by chance, changes into something worthy of artistic scrutiny. Yet the intervention could not be more infinitesimal inasmuch as there is no intervention to speak of at all. Jochen Gerz himself has described the project as “a minimal modification within sameness, which can only be registered by a contemporary consciousness.” 2-3 Streets is not a product of “creativity”: what is new was already there, what is old is still there. It is a product of redundancy – and the change could not be more profound. It is art, of course, though there is basically no need to make such a claim any more – if indeed it is a claim – except that the dialectical relationship between art and its other has by no means become redundant. Art used to dream of becoming non art. Now it appears to have opted for a more caustic form of calculated redundancy – the very opposite of colonial field-expansion.

Stephen Wright is a Paris-based art writer and research fellow at the Institut National d'Histoire de l'Art (Paris). He has curated "Dataesthetics" (WHW, Zagreb), “Rumour as Media” (Aksanat, Istanbul), “In Absentia” (Passerelle, Brest) and “The Future of the Reciprocal Readymade” (Apexart, NYC), as part of a series of exhibitions examining art practices with low coefficients of artistic visibility, which raise the prospect of art without artworks, authorship or spectatorship.

STEPHEN WRIGHT (UK) Investigador

As conotações inconfundivelmente colonialistas de um “novo campo expandido” para a arte não deveriam surpreender-nos no que toca à qualificação dos espaços relacionais, posto que as práticas artísticas relacionais frequentemente se apresentam como predatórias perante domínios inexplorados do mundo por onde irrompem e com os quais, de forma frequentemente fraudulenta, alegam estabelecer diálogo, despreocupadas com as constantes e dramáticas discrepâncias entre os seus próprios interesses e agenciamento, enquanto dilatadoras do campo, e os interesses e agenciamento daqueles que por acaso se encontravam no local para onde o tal “campo” subitamente se expandiu… Parte da razão de ser desta lógica e retórica de expansão é que a arte realmente está a colonizar o mundo – e está a fazê-lo inconscientemente enquanto arte – de tal forma que o que está literalmente a ser expandido é o mundo da arte. Mais interessante ainda, no entanto, é quando a arte, sem diminuir a sua mobilidade, procura envolver-se com o real sem expandir o seu império; sugerindo de facto que não há necessidade de expandir o seu campo para se afirmar enquanto arte – e, na verdade, poderá haver situações em que ela deve deliberadamente dar o primeiro plano à sua própria ausência. Ocorre-me como exemplo do que acabo de expôr, o projecto “2-3 Streets” de Jochen Gerz, com o seu coeficiente de visibilidade artística frequente e deliberadamente diminuído, convocando a insistência do artista, desde há vários anos, na questão da autoria pública, e reflectindo uma viragem para além da ideia de espectáculo… “2-3 Streets” propõe uma exposição, mostrando duas ou três ruas sem qualquer lugar ou ocorrência apreciável, ruas que podem ser encontradas em muitos lugares. Embora estas se encontrem na área desindustrializada do Ruhr Valley na Alemanha, são ruas típicas das cidades do pós-guerra com os seus blocos de apartamentos, lojas, garagens – nada que mereça ser mencionado ou destacado. De facto, os critérios para a sua selecção são ao mesmo tempo a sua normalidade e o facto de serem parte de uma vizinhança onde está a ter lugar um processo de requalificação, regeneração, reabilitação ou de uma nova dedicação. A “intervenção”, como os artistas gostam de dizer, não podia ser maior: as ruas e tudo o que delas faz parte estão em exposição. Tudo o que acontece, intencionalmente ou por acaso, transforma-se em algo digno de escrutínio artístico. E no entanto, a intervenção não podia ser mais ínfima de tal forma que não há de todo intervenção para dar que falar. O próprio Jochen Gerz descreveu o projecto como “uma modificação mínima dentro da semelhança, que pode apenas ser registada por uma consciência contemporânea.” “2-3 Streets” não é um produto da “criatividade”: o que é novo já lá estava, o que é velho lá continua. É um produto redundante – e a mudança não poderia ser mais profunda. É arte, claro, embora já não haja necessidade de fazer tal alegação – se na verdade de uma alegação se trata – exceptuando que a relação dialéctica entre a arte e o seu outro, de forma alguma se tornou redundante. A arte costumava sonhar em tornar-se não-arte. Agora parece que passou a optar por uma forma mais cáustica de redundância calculada – o verdadeiro antónimo da expansão colonial do campo.

Stephen Wright vive em Paris e é ensaísta e investigador convidado no Institut National d'Histoire de l'Art (Paris). Foi curador de: "Dataesthetics" (WHW, Zagreb), “Rumour as Media” (Aksanat, Istanbul), “In Absentia” (Passerelle, Brest) e “The Future of the Reciprocal Readymade” (Apexart, NYC), como parte de uma série de exposições examinando práticas artísticas com coeficientes de visibilidades baixos, e que levantam a possibilidade da arte sem obras, autoria ou espectáculo.


NUNO GRANDE (PT) Architect and Researcher

During the late 60’s, in different geographical locations and cultures, an open debate on the conventionalism and asceticism of the big cultural institutions– mainly museums and modern art galleries – emerged, denouncing the patronising guise of their political discourse, the linear character of their marketing practices, and the self-referentiality of their architectonic space. This “institutional critique”, launched amongst groups of militant critics and conceptual artists, often integrating counterculture movements, has been taken as motive for the creation of an “alternative” spatiality – located in urban interstices, old degraded town centres or forgotten fringes of big cities. In this “alternative” spatiality, artistic creation has been, tentatively, brought closer to its own public reception and reflection.
“Recycling” existing structures – old schools, disused military quarters, abandoned factories and warehouses – these informal “institutions” gained particular dynamics, as they socially and culturally rehabilitate local communities, often leading to the re-encounter of their lost collective memory or of the identity of the place. These “relational spaces” have tended to promote more open environments and to develop cultural and artistic programming more sensitive to the contact between the artists, and their works, and the inhabitants/visitors, making them often active participants in the creative process itself. Some of these spaces survived the following decades, some didn’t.
Currently, big contemporary art museums and centres have transformed themselves in corporate, globalised and self-referential institutions, promoting their “franchising” in a disaffected manner with regards to local geographies and cultures. What rises from here is, again, in many aspects a “revivalist” inclination to recreate relational spaces and aesthetics, more or less spontaneously framed.
Using concrete examples, with reference to their divergences and continuities, their successes and failures, from Queens to S.Paulo, from Paris to Marseille, all the way to Porto, this presentation tries to unveil what unites these two moments of relation.

Nuno Grande was born in 1966. Obtained his degree in Architecture at the Universidade do Porto in 1992. Assistant Lecturer at the Department of Architecture of the Universidade de Coimbra (DARQ/FCTUC) since 1993. Guest Lecturer at the Faculty of Architecture of Oporto in 2006, at the Contemporary Urbanism course. Presently preparing his PhD at the University of Coimbra, on the relationship between Culture, City and Architecture. He was responsible for the Cultural Program on Architecture and City, in Porto 2001, European Capital of Culture and shared responsibility for Culture in the Architectural Order, North Section, (OASRN) from 1999 to 2004. He is author or editor of the following essays: “O Verdadeiro Mapa do Universo: uma leitura diacrónica da cidade portuguesa” (Edarq, 2002) on the evolution of Portuguese Cities; “Arquitectura & Não” (Caleidoscópio, 2005), a selection of his own texts; and Cidade-Sofia, Cidades Universitárias em debate” (Edarq,2005), a compilation of different expert approaches on European University Cities. He is member of the Portuguese Section of the Association Internationale des Critiques d’Art (AICA) and of the Editorial Board of Jornal dos Arquitectos, the official magazine of the Portuguese Order of Architects. He writes occasionally for architectural publications published in Portugal and Spain. He uses his own architectural design studio as a complement of his academic and critical work and as a professional co-authorship platform with other studios.

NUNO GRANDE (PT) Arquitecto e Investigador

Ao longo do final da década de 60, em distintas geografias e culturas, emergiu um debate aberto sobre o convencionalismo e o ascetismo das grandes instituições culturais – sobretudo museus e galerias de arte moderna – denunciando o paternalismo do seu discurso político, a linearidade da sua prática divulgadora, e a auto-referencialidade do seu espaço arquitectónico. Essa “institutional critique”, lançada entre grupos de críticos activistas e de artistas conceptuais, tantas vezes integrados em movimentos de contracultura, foi servindo de motivo à criação de uma espacialidade “alternativa” – inserida em interstícios urbanos, velhos centros depreciados ou franjas esquecidas das grandes cidades –, na qual se procurou então aproximar a criação artística da sua própria recepção e reflexão pública.
“Reciclando” estruturas existentes – antigas escolas, quartéis militares desactivados, fábricas e armazéns abandonados – estas “instituições” informais ganharam uma dinâmica própria, na reabilitação social e cultural de comunidades locais, conduzindo, muitas vezes, ao reencontro com a sua memória colectiva ou com a identidade do lugar. Estes “espaços relacionais” tenderam a promover ambientes mais abertos e a desenvolver programações mais sensíveis ao contacto dos artistas e das obras com os habitantes/visitantes, tornando-os, muitas vezes, em participantes activos do próprio processo criativo. Alguns desses espaços sobreviveram às décadas seguintes; outros não.
Na actualidade, e quando, os grandes museus e centros de arte contemporânea se transformam em instituições empresariais, globalizadas e auto-referenciadas, promovendo o seu “franchising” de forma indiferente às geografias e às culturas locais, eis que surge, de novo, uma apetência, em muitos aspectos “revivalista”, visando recriar espaços e estéticas relacionais, em enquadramentos mais ou menos espontâneos.
Esta comunicação tenta descortinar o que une esses dois tempos de relação, referenciando experiências concretas, – de Queens a São Paulo, de Paris a Marselha, passando ainda pelo Porto – a partir das suas divergências e continuidades, dos seus êxitos e insucessos.

Nuno Grande nasceu em 1966. Licenciou-se em Arquitectura pela Universidade do Porto, em 1992. É docente no Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, desde 1993, onde prepara actualmente a sua Tese de Doutoramento sobre o Contexto e a Evolução dos Grandes Equipamentos Culturais da Contemporaneidade Portuguesa. É docente convidado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto na disciplina de Urbanística Contemporânea. Foi programador cultural na área de Arquitectura e Cidade do Porto 2001, Capital Europeia da Cultura. Foi ainda co-responsável pelo Pelouro da Cultura da Ordem dos Arquitectos (SRN) entre 1999 e 2004. Publicou as seguintes trabalhos: “O Verdadeiro Mapa do Universo: uma leitura diacrónica da cidade portuguesa” (Edições Edarq, 2002), sobre a evolução das Cidades Portuguesas; “Arquitectura & Não” (Editora Caleidoscópio, 2005), uma selecção de textos seus; “Cidade-Sofia, Cidades Universitárias em Debate” (Edições Edarq, 2005), uma complilação de diversas abordagens feitas por especialistas acerca das Cidades Universitárias Europeias. É membro da Secção Portuguesa da Association Internationale des Critiques d’Art (AICA) e do quadro editorial do Jornal dos Arquitectos, revista oficial da Ordem dos Arquitectos Portuguesa. Escreve episodicamente sobre Arquitectura em revistas da especialidade em Portugal e Espanha. Exerce a actividade liberal como complemento prático da sua actividade de docente e crítico de Arquitectura.


ÁLVARO DOMINGUES (PT) Geographer and Researcher

Place and identity always refer to very unstable and difficult to understand concepts. Geography and the other “sciences of the territory” have had in the past very clear ideas about this, ideas which were shared by areas of knowledge such as anthropology and behavioural sciences. Today, it is enough to conjure up Marc Augè’s concept of “non-place” or the contemporary geographers’ concept of “relational territories/spaces”, to begin to understand how far positions diverge. In fact, when the processes of “territorialisation” of society change, we understand how far that divergence can go: the territory’s stability (in time and space) cannot be estranged from a society characterised by all that changes: the fluidity of physical mobility, the sense of multiple belonging of individuals to different spheres of organisation and representation in society, the cross-over of cultural references and life styles, individuation, instability and globalisation of ways of production, distribution and consumption of goods and services, the informational society’s features, etc.; all this converges to the feeling that all that is unstable, mobile and perishable, constantly increases… that one easily exchanges a fixed point of view for mobile geometry of a relation which is constantly referenced to systems of more or less fixed points. Sociologists and political scientists use the same concept of “centrifugal society” to emphasise the loss of stability of many “fixed” structures that organise societies, practices and social representations.
What can we say today about a “place” such as a service station in a high-way? Will it be so different in Minho, Algarve or Los Angeles? The service station is one of the many so-called “non-places” that anthropologists talk about. It is something that lacks those relations that characterise the “thickness” of society’s territorialisation relationships; places where the “spirit of place” (Genius Loci) lives, full of sense, practices or significations of the everyday or of the profoundest transcendence. The service station is a, eminently, “relacional” place. It derives from movement; it lives of movement; it is more a situation than a site. Concerning sociability(ies), it is a disposable, ephemeral, instantaneous, almost immaterial place. In Rem Koolhaas’ language it is a true “generic”, an architecture that replicates itself to infinity and that always replicates the same codes, spacialities, functions, signage, that always adapts to uses and practices which are relatively restricted, hyper-codified, judged by criteria of pure funcionality. It is a confined territory that inhabits a suspension in time and space. Many say the same thing about airports and shopping malls, reinforcing the disenchantment, the bad mourning for the loss of the traditional notion of place as an idea of stability, rooting and identity; a suspicion in the face of the demons of consumerism, massification, loss of consistency of the collective sense reduced to variable sums of individuals and individualisations. It is clear where this line of argument is going.
On the other extreme are the “historical centre” and the “traditional village”. Displaced from the social context and from the geography and temporality which produced them, these other places are increasingly “objectified” as perennial redoubts for lost identities. They present themselves, both loaded with symbols, memories and significations, and, at the same time, they are quickly reduced to mere sets and simulacra, some kind of theme parks so “true/real” or “false” as the experiences they induce. The traumas of loosing the “city” or the “countryside” spur their “preservation”, patrimonial status acquisition, recuperation, etc., but also their festival-like acquired condition, their character of (un)common place. They may even become heterotopias, true functional and symbolic “service station areas” intercepted by the everyday flow and by the constant zapping through more or less fixed places visited by more or less hypermobile people.
This is the schizophrenia that may address us when the artistic gesture locates itself in place and identity, trying to fixate ou address that realtion that is eminently public in the space and in the way it is organized.
When today we question the sense of evolution of what is designated as globalisation, cosmopolitanism, inter-culturalism, etc., it is crucial to try and find sense for other implicit questions such as localism, exclusion, etc.. It is important to avoid polarisations that tend to focus overtly on identities (either by too much or too little consideration) and try instead to seek for correlations and crossings that connections always enable and reveal.

Álvaro Domingues, geographer and Professor at the Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, he teaches “Geografia do Território e Formas Urbanas” (Geography, Territory and Urban Forms). Researcher at the Centro de Estudos in the same Faculty, participates frequentely in debates, seminars. Published literature includes: “Políticas Urbanas” (2004) and “Cidade e Democracia” (2006).

ÁLVARO DOMINGUES (PT) Geógrafo e Investigador

Lugar e identidade designam sempre conceitos bastante instáveis e difíceis de perceber. A geografia e outras “ciências do território” já tiveram sobre isto ideias bastante claras e partilháveis por saberes como a antropologia ou as ciências do comportamento. Hoje, basta invocar o conceito de “não-lugar” de Marc Augè ou de “territórios/espaços relacionais” dos geógrafos contemporâneos, para começar a perceber até que ponto os olhares divergem. De facto, quando mudam os processos de “territorialização” da sociedade, percebe-se até onde pode ir essa divergência: a estabilidade (no tempo e no espaço) do território não pode ficar alheada a uma sociedade que se caracteriza por tudo o que muda: a fluidez da mobilidade física, a multipertença dos indivíduos a diferentes esferas de organização e de representação da sociedade, o cruzamento de referências culturais e estilos de vida, a individuação, a instabilidade e a globalização dos modos de produzir, distribuir e consumir bens e serviços, os traços da sociedade informacional, etc., etc., tudo converge para a sensação de que aumenta constantemente tudo que é instável, móvel, perecível,..., de que se troca facilmente um ponto fixo pela geometria móvel de uma relação constantemente referenciada a sistemas de pontos mais ou menos fixos. Sociólogos e politólogos usam mesmo o conceito de “sociedade centrífuga” para enfatizar a perda da estabilidade de muitas estruturas “fixas” que organizam sociedades, práticas e representações sociais.
Que se poderá dizer hoje a propósito de um “lugar” como uma área de serviço de uma auto-estrada? Será tão diferente por ser no Minho, Algarve ou Los Angeles? A estação de serviço é um dos muitos supostos “não-lugares” de que falam os antropólogos. Algo a que faltam aquelas relações que caracterizam a “espessura” das relações de territorialização da sociedade, lugares onde habita o “espírito do lugar”, carregados de sentido, práticas ou significações do quotidiano ou da mais profunda transcendência. A área de serviço é um lugar eminentemente “relacional”. Decorre do movimento; vive do movimento; é mais situação do que sítio. Do lado das sociabilidades, é um lugar descartável, efémero, instantâneo, quase imaterial. Na linguagem de Rem Koolhaas é um verdadeiro “genérico”, uma arquitectura que se replica até ao infinito e que replica sempre os mesmo códigos, espacialidades, funções, sinalética, que se adapta a usos e práticas relativamente restritas, hiper-codificadas, avaliadas por critérios de pura funcionalidade. É um território confinado que habita uma suspensão no tempo e no espaço. Muitos dizem o mesmo da gare de um aeroporto ou de um centro comercial, reforçando o desencantamento, o mau luto pela perda da noção tradicional de lugar como ideia de estabilidade, enraizamento e de identidade, uma desconfiança face aos demónios do consumismo, da massificação, da perda de espessura do sentido do colectivo reduzido a somatórios variáveis de indivíduos e individualizações. Percebe-se onde é que esta argumentação desemboca.
No outro extremo estão o “centro histórico” ou a “aldeia tradicional”. Descolados do contexto social, da geografia e da temporalidade que os produziu, estes outros lugares são cada vez mais “coisificados” como redutos perenes de identidades perdidas. Apresentam-se, ao mesmo tempo, carregados de símbolos, memórias e significações, como, rapidamente, são reduzidos a meros cenários e simulacros, espécie de parques temáticos tão “verdadeiros/reais” ou “falsos” quanto as experiências a que se prestam. Os traumas da perda da “cidade” ou do “campo” acicatam a sua “preservação”, patrimonialização, recuperação, etc., mas também a sua festivalização, o seu carácter de lugar (in)comum. Podem até transformar-se em heterotopias, verdadeiras “áreas de serviço” funcional e simbólicas interceptadas no fluir do quotidiano e do constante zapping por lugares mais ou menos fixos visitados por pessoas mais ou menos hipermóveis.
É esta esquizofrenia que nos pode interpelar quando o gesto artístico se fixa no lugar e na identidade, tentando fixar ou interpelar essa relação que é eminentemente pública no espaço e na forma como se organiza.
Quando hoje se questiona o sentido da evolução do que se designa como globalização, cosmopolitismo, interculturalismo, etc., faz todo o sentido encontrar sentidos para outras questões que aí se cruzam ou embatem como o localismo, a exclusão, etc., evitando polarizações demasiado focadas nas identidades por excesso ou por defeito e tentando, ao contrário, procurar nexos e cruzamentos que sempre as relações proporcionam e desvendam.

Álvaro Domingues, geógrafo e Professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, responsável pela cadeira de Geografia do Território e Formas Urbanas. Investigador do Centro de Estudos da FAUP. Regista-se a participação em vários debates, seminários e a publicação de “Políticas Urbanas” (2004) e “Cidade e Democracia” (2006).


GABRIELA VAZ-PINHEIRO (PT) Artist and Researcher
Curator, Moderator, Editor DESVIOS / DETOURS

The current concern with extending the debate on site and identity has proved to be supported by something that could be called artistic relational practices. Many artists investigate processes of interchange (based or not on commercial interchange) as an end to their artistic production, more than they invest solely in an object oriented practice. Conversations and, in general, any kind of social interchange are considered to be relevant artistic methodologies, as well as engaging others in the artistic experience. But these processes have not necessarily been fully evaluated in terms of their aesthetic repercussions; neither have their social implications have been entirely demystified.
It is therefore necessary to instigate a debate on this territory, attempting, on the one hand, to unveil the pitfalls of excessive welldoing expectations attributed to socially engaging art practices, at the same time that, on the other hand, the scope of the so called “relational aesthetics” and its importance for today’s artists needs to be investigated.

Gabriela Vaz-Pinheiro holds a Sculpture Degree from the Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto; European Scenography Master of Arts from Central Saint Martin’s College; Theory and Practice of Public Art & Design Master of Arts from Chelsea College of Art & Design. PhD by Project from Chelsea College, with thesis: Art from Place: the expression of cultural memory in the urban environment and in place-specific art interventions. Scholar from Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), Secretaria de Estado da Cultura, Contemporary Art Society and The London Institute. She has a continuous involvement in interdisciplinary seminars and publishes in international art and art research magazines. Exhibits, in group and individually, as Gabriela Vaz since 1985, both in Portugal and abroad, holding some Awards and Honorary Mentions. Her most recent work deals with the repositioning of concepts such as: locality and the revocation of local iconologies, everyday narratives, territory and fluidity. Some of these questions take the shape of place-specific interventions both in Portugal and abroad.

GABRIELA VAZ-PINHEIRO (PT) Artista e Investigadora
Curadora, Moderadora e Responsável Editorial DESVIOS / DETOURS

A actual preocupação com o alargamento do debate sobre o lugar e a identidade tem sido apoiada por algo que se poderá chamar de práticas artísticas relacionais. Muitos artistas investigam processos de intercâmbio (baseados ou não em intercâmbio comercial) como um fim para a sua produção artística, mais do que investem numa prática orientada exclusivamente para o objecto. Conversas e, no geral, qualquer tipo de intercâmbio social podem ser considerados como metodologias artísticas relevantes, tal como o é envolver os outros no experienciar da arte. Mas estes processos não foram ainda inteiramente avaliados em termos das suas repercussões estéticas, nem as suas implicações sociais foram completamente desmistificadas.
É, por isso, necessário instigar um debate neste território, procurando, por um lado, denunciar as armadilhas das excessivas expectativas do bem-fazer imputadas às práticas artísticas com envolvimento no social, ao mesmo tempo que, por outro lado, o alcance da chamada “estética relacional” e da sua importância para os artistas de hoje precisa de ser investigado.

Gabriela Vaz-Pinheiro é Licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto; European Scenography Master of Arts pelo Central Saint Martin’s College; Mestrado em Theory and Practice of Public Art & Design pelo Chelsea College of Art & Design; e Doutoramento por Projecto com o Chelsea College, com a tese: Art from Place: the expression of cultural memory in the urban environment and in place-specific art interventions. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, Secretaria de Estado da Cultura, Contemporary Art Society e The London Institute. Realizou vários Seminários de natureza interdisciplinar em Portugal e no estrangeiro e publicou textos em revistas de arte e investigação artística. Expõe colectiva e individualmente, como Gabriela Vaz, desde 1985, em Portugal e no estrangeiro, tendo recebido diversos Prémios e Menções. Grande parte do trabalho recente versa o reposicionamento de conceitos como: localidade e a revogação das iconologias locais, narrativas do quotidiano, território e fluidez. Algumas destas questões tomam a forma de intervenções de carácter referencialmente contextual, tanto em Portugal como no estrangeiro.


DOLORES WILBER (US) Artist and Performer

Three projects that address the need to claim the public space for what we need as citizens of our native Countries, and the world - where we live, work, love and die.
Monument: Bodies on Foreign Soil, Chicago Cultural Center 2004, was a multi-media collaboration with artist Julie Laffin at the Chicago Cultural Center responding to the invasion of Iraq by U.S. forces. It was presented in Grand Army of the Republic (GAR) Annex, a 40x40-foot room with domed Tiffany ceiling, which commemorates the bloodiest battles of the U.S. Civil War. Media for the installation included forty WWII wool army blankets with photographs of the body printed on cotton and mechanical breathing apparatuses. The darkened adjacent room featured projected video, sound and text, two 25-foot buckthorn trees, roots intact, and performers peeling the bark from the trees. Projections written by ecologist Liam Heneghan in an essay about invasive plant species, questioned how we as a species engage protection and invasion: “Simply stating the words fear and violence and loss and dread and shame and mourning and confusion and passivity and tenderness and vulnerability seem wholly inadequate to describe how we feel standing in GAR Hall …Monuments are in memory of bravery, and untoward and unwanted death and destruction that surround us this Autumn 2004. We are sure to see more to come. We aim to begin our conversation where this Civil War memorial site leaves off.”
Heads or Tails, Chicago Cultural Center 2005, a site-specific installation at Preston Bradley Hall, the Chicago Cultural Center, originally the Circulation Reading Room for the Chicago Public Library, the hall’s walls and ceiling bear the names of great (primarily Western) writers on its decorated arches, alongside inscriptions in ten languages extolling the wisdom found in books. The loss and failure of words, and the loss of this public reading room, this space for contemplation, now usually a rented performance space, was at the heart of this project. It included large format photographs of polyurethane cast heads, video projection, live music and two performers who searched for safety in the form of a safety pin on orange mason line strung across the installation space. Heads or Tails incorporated images and text from a found diary and log discovered in a used bookstore in Estonia.
Coming and Going, Uptown neighbourhood, Chicago 2006, Artistic Directors: Dolores Wilber and B.J. Krivanek/Community Architexts. Located in a commuter parking lot at Truman College in Uptown, Chicago, this site-specific performance appropriated the parking lot and dynamic backdrop of elevated train traffic (active and inactive Chicago Transit Authority structures) deploying actors, a 20+-person choral ensemble (performing Bach, Morten Lauridsen, and Ernani Agular), digital video and text/ image projections, cars and a moving van. Incorporating the Samuel Beckett short play Come and Go (1965), this work activated particular issues and themes—transience, displacement, instability, desertion, factionalization and fear—that resonate for the various communities that co-exist uneasily within the rapidly gentrifying Uptown community. Uptown was historically a Jewish immigrant community, evolving into a port of entry for migrating workers from the southern United States, and then immigrants from every country in the world.

Dolores Wilber is an artist and performer, founder and director of the live art collaborative, Wholesale Chicago. Her work has been presented at the Museum of Contemporary Art in Chicago, the Chicago Cultural Center, the Cleveland Performance Art Festival, The Royal College of Art in London, the Von Krahli Theatre (Tallin), Rakvere Museum, and in Viinistu Kunstimuusemis ja Mohni, Estonia, and recently her video short, Chests, was presented at Sun Yat-Sen University in Quangzhou, China (December 2004); Chests was also an official selection at the Ann Arbor Film Festival. Associate Professor in the Art + Art History Department at DePaul University, she taught at The School of the Art Institute in Chicago for ten years. She has received awards from numerous sources including the Illinois Art Council, the United States Embassy, the Richard H. Dreihaus Foundation, and the Peabody Award as a producer for the public radio program, This American Life, hosted by Ira Glass.

DOLORES WILBER (US) Artista e Performer

Três projectos que abordam a necessidade de reclamar o espaço público para o que necessitamos enquanto cidadãos dos nossos países de origem e do mundo – onde vivemos, trabalhamos, amamos e morremos.
Monument: Bodies on Foreign Soil, Chicago Cultural Center 2004 foi uma colaboração multimédia com a artista Julie Laffin em resposta à invasão do Iraque pelo exército dos Estados Unidos. Foi mostrado no Grand Army of the Republic (GAR) Annex, uma sala com 12x12m com tecto Tiffany abobadado, que comemora as mais sangrentas batalhas da Guerra Civil dos Estados Unidos. A instalação incluía 40 cobertores de lã da Segunda Guerra Mundial, com fotografias de corpos impressas em algodão e uns mecanismos de simulação de respiração. A sala adjacente, escurecida, continha uma projecção vídeo, som e texto, dois escambroeiros de 7,5m, com as raízes intactas, e alguns performers a retirarem a casca das árvores. As palavras projectadas, escritas pelo ecologista Liam Heneghan num ensaio sobre espécies de plantas invasivas, questionavam como é que enquanto espécie abordamos as ideias de protecção e invasão: “Simplesmente pronunciando as palavras medo e violência e perda e terror e vergonha e luto e confusão e passividade e ternura e vulnerabilidade parecem totalmente inadequadas para descrever como nos sentimos no GAR Hall … Os monumentos existem em memória da coragem, e de uma morte adversa e indesejada e da destruição que nos rodeia neste Outono de 2004. Temos a certeza de que mais virá. Ansiamos começar a nossa conversa no local onde este memorial à Guerra Civil termina.”
Heads or Tails, Chicago Cultural Center 2005, uma instalação site-specific no Preston Bradley Hall, Chicago Cultural Center, antigamente chamado Circulation Reading Room, Chicago Public Library, cujas paredes e tecto, nos seus arcos decorados, exibem os nomes de grandes escritores (predominantemente Ocidentais), ao lado de inscrições em dez línguas exaltando a sabedoria que se encontra nos livros. Centrais para este projecto foram a perda e falência das palavras, e a perda desta sala pública de leitura, este espaço para contemplação, agora habitualmente alugado para espectáculos. A instalação era composta por fotografias de grande formato de cabeças em poliuretano, uma projecção vídeo, música ao vivo e dois performers que procuravam protecção sob a forma de um alfinete de segurança preso a um cordel laranja esticado a atravessar o espaço da instalação. Heads or Tails incorporava imagens e texto de um diário encontrado num alfarrabista na Estónia.
Coming and Going, Subúrbios de Chicago, 2006, Directores Artísticos: Dolores Wilber e B.J. Krivanek/Community Architexts. Localizado num parque de estacionamento no Truman College nos subúrbios, Chicago, esta performance site-specific apropriou o espaço de estacionamento e o fundo dinâmico de um viaduto de comboio (estruturas activas e inactivas da Chicago Transit Authority), dispôs actores, um grupo coral de mais de vinte pessoas (interpretando Bach, Morten Lauridsen, e Ernani Agular), video digital e projecções de texto e imagem, automóveis e uma furgoneta em movimento. Incorporando a peça curta de Samuel Beckett Come and Go (1965), este trabalho activou questões e temas particulares — transiência, deslocalização, instabilidade abandono, facciosismo e medo — que ressumam das várias comunidades que coexistem com dificuldade dentro da zona em rápida gentrificação dos subúrbios (Uptown). Uptown, historicamente uma comunidade Judaica imigrante, tornou-se um porto de entrada para trabalhadores em migração vindos do sul dos Estados Unidos, e depois de imigrantes vindos de todos os países do mundo.

Dolores Wilber é artista e performer, fundadora e directora do colectivo de live art, Wholesale Chicago. O seu trabalho tem sido apresentado no Museum of Contemporary Art em Chicago, no Chicago Cultural Center, no Cleveland Performance Art Festival, no The Royal College of Art em Londres, no Von Krahli Theatre (Tallin), no Rakvere Museum, e no Viinistu Kunstimuusemis ja Mohni, Estónia, e recentemente a sua curta-metragem em video, “Chests”, foi apresentada na Sun Yat-Sen University em Quangzhou, China (December 2004); “Chests“ fez também parte da selecção oficial no Ann Arbor Film Festival. Professora Associada no Departamento de Art & Art History na DePaul University, ensinou no The School of the Art Institute em Chicago durante dez anos. Recebeu prémios de várias fontes incluindo o Illinois Art Council, a United States Embassy, a Richard H. Dreihaus Foundation, e o Peabody Award como produtora do programa da emissora de rádio pública, This American Life, apresentado por Ira Glass.


HEITOR ALVELOS (PT) Designer and researcher / Designer e Investigador

Recent years have witnessed the disappearance of traditional notions of subculture, replaced by deeply complex and constantly evolving dynamics between previously opposing authoritative and transgressive social sectors. Instead of the old paradigm of centre and periphery, we face a socio-cultural structure more akin to a maze of mirrors whereby formerly incompatible social and economic structures now cooperate and reflect each other, creating alliances in order to achieve goals which are strategic and transient themselves.
What was previously stated, largely explains the recent emergence of a series of peculiar ways of unauthorized public interventions which question former notions of vandalism and unlawfulness. Two prime examples of this are the practices of "reverse graffiti" and "guerilla gardening". Although technically illegal, both are fuelled by social and environmental concerns, and exploit legal loops and voids in order to flourish.
Even though the legal aspects of such phenomena are worthy of consideration, the operative and symbolic dimensions of "fair vandalism" are becoming the most striking ones. Amongst a generation that often sees no distinction between work, leisure and activism, and often ignores the potential conflict between corporate interest and social involvement, “fair vandalism” is ready for use as viral marketing, just as it exposes the immense potential for contradiction between the formal and ethical dimensions of social ruling. In other words, the time has come when it is possible to be arrested for the act of cleaning walls, just as the time has come when the act of cleaning an over-saturated public space may foster the loudest voice of them all.

Heitor Alvelos is Doctor of Philosophy (Communication Art and Design, Royal College of Art, 2003) and Master of Fine Arts (Visual Communication, School of the Art Institute of Chicago, 1992). Professor and current Head of Department, Communication Design, University of Porto - School of Fine Arts, Portugal, where he also conducts Research and heads the External Relations Office. Tutor in Drawing at the Royal College of Art from 1999 to 2003. Designer and intermedia artist, with work exhibited and published internationally since 1989. Recent work includes: curatorship of international Design exhibitions, in association with the Serralves Foundation; Autodigest - edition of audio CDs; video installation commissioned by the Presidency of the Portuguese Republic; live concerts commissioned by the Calouste Gulbenkian Foundation; regular collaborations with the audiovisual labels Touch and Crónica Electrónica; research papers published and presented internationally at Visual Culture and Global Culture conferences.

HEITOR ALVELOS (PT) Designer e Investigador

Os últimos anos assistiram ao desaparecimento das noções tradicionais de sub-cultura, que foram sendo substituídas por dinâmicas profundamente complexas, e em constante evolução, entre os sectores sociais autoritários e transgressores antes opostos. Em vez do velho paradigma do centro e periferia, estamos perante uma estrutura mais próxima de um labirinto de espelhos, através do qual estruturas sociais e económicas anteriormente incompatíveis, agora cooperam e se reflectem mutuamente, criando alianças por forma a atingir objectivos que são, eles mesmos, estratégicos e transitórios.
O acima exposto, fundamentalmente explica a recente eclosão de uma série de formas peculiares de intervenções públicas não autorizadas, que questionam anteriores noções de vandalismo e ilegalidade. Dois exemplos fundamentais disto são as práticas de "reverse graffiti" e "guerilla gardening". Embora tecnicamente ilegais, ambos são sustentados por preocupações sociais e ambientais, e exploram lacunas e vazios legais de forma a prosperar.
Embora os aspectos legais de tais fenómenos sejam dignos de consideração, são as dimensões operativas e simbólicas do “fair vandalism” que se afiguram mais surpreendentes. Por entre uma geração que frequentemente não distingue trabalho, lazer e activismo, e frequentemente ignora o potencial conflito entre interesse corporativo e envolvimento social, o “fair vandalism” presta-se a ser usado como marketing viral, ao expor o imenso potencial para a contradição entre as dimensões formais e éticas da governação social. Por outras palavras, chegou o momento em que é possível ser preso pelo acto de limpar paredes, tal como chegou a altura em que o acto de limpar um espaço público hiper-saturado poderá fomentar a voz mais alta de todas.

Heitor Alvelos é Doutorado em Comunicação, Arte e Design pelo Royal College of Art (Londres, 2003) e Mestre em Comunicação Visual pela School of the Art Institute of Chicago (1992). Professor Auxiliar e actual Presidente do Departamento de Design da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde conduz investigação e dirige o Gabinete de Relações Exteriores. Tutor no Drawing Studio do Royal College of Art, de 1999 a 2003. Designer e artista intermedia, a sua obra é publicada e exposta internacionalmente desde 1989. Obra recente inclui: comissariado de exposições internacionais de Design, em associação com a Fundação de Serralves; Autodigest – edição de CDs áudio; vídeo-instalação a convite da Presidência da República Portuguesa; concertos a convite da Fundação Calouste Gulbenkian; colaboração regular com as editoras audiovisuais Touch e Crónica Electrónica; documentação da sua investigação publicada e apresentada internacionalmente em conferências de Cultura Visual e Globalização.



An important topic of the art world is to define where and which are its borders. In several projects I tried to stress out the relationship between the art object and its public. In the poster project 3500 cm2 was the stronger relation of an inverse process of public art. The title 3500cm2 refers to the surface area of a 50x70cm poster. Around 70 international artists exhibited their work in this size and format; it was then given for free to a large public, often not from the art world. Sonicity was a project that combined music, architecture and art in a particular urban situation. Sound Art Museum and Radio Arte Mobile are sound based projects that try to investigate how changing the art object into an immaterial version allows it to reach different kinds of public.

Lorenzo Benedetti was born in Rome, 1972. He is a curator and an art critic. In 2005 he founded the SoundArtMuseum. He is curator of the non-profit art space Volume!, in Rome. He is curator at the museum MARTa Herford, since 2007. He curated or co-curated, among others, exhibitions such as: Anarchitecture (De Appel Foundation, Amsterdam, 1999); Post-tragi-KoMik (Palazzo delle Papesse, Siena, 1999); Tribù dell'arte Situationism section (Macro, Rome, 2001); Moving Landscapes (Sala 1 Rome, 2002); A'dam & Eve (De Appel Foundation, Amsterdam 2002); Three more stars: Floria Sigismondi, Michel Gondry, Chris Cunningam (Enzimi Festival, Rome 2002); Sonicity a series of interdisciplinary events that put in relation art, music and architecture in a determined urban context, Corviale and Ostiense, (Rome 2002); Urban Interference (Bruxelles, 2003); Wayleave International magazine exhibition (Rome, Bologna 2003-2006); Loop – Art and the microeconomy (Rome 2005); Busan Biennale (Busan – Korea 2006); Editing (Gorizia, Rome, 2005-2007).


Um tópico importante no mundo da arte é definir onde estão e quais são as suas fronteiras. Em vários projectos tenho tentado sublinhar a relação entre o objecto artístico e o seu público. O projecto do poster 3500 cm2 deu forma à mais forte relação de um processo inverso ao da arte pública. O título 3500cm2 refere-se à superfície de um poster de 50x70 cm. Cerca de 70 artistas de vários países expuseram o seu trabalho neste tamanho e formato, que foi depois oferecido a um público alargado, a maior parte dele não pertencendo ao mundo da arte. Sonicity foi um projecto que combinou música, arquitectura e arte numa situação urbana particular. Sound Art Museum e Radio Arte Mobile são projectos sonoros que procuram investigar como dar ao objecto de arte uma versão imaterial permite que ele alcance diferentes tipos de público.

Lorenzo Benedetti, nasceu em Roma, 1972. É curador e crítico de arte. Em 2005 fundou o SoundArtMuseum. É curador do espaço artístico sem fins lucrativos Volume!, em Roma. É curador no museu MARTa Herford desde 2007. Fez curadoria e co-curadoria de, entre outras, as exposições: Anarchitecture (De Appel Foundation, Amsterdam, 1999); Post-tragi-KoMik (Palazzo delle Papesse, Siena, 1999); Tribù dell'arte Situationism section (Macro, Rome, 2001); Moving Landscapes (Sala 1 Rome, 2002); A'dam & Eve (De Appel Foundation, Amsterdam 2002); Three more stars: Floria Sigismondi, Michel Gondry, Chris Cunningam (Enzimi Festival, Rome 2002); Sonicity uma série de eventos interdisciplinares que relacionam arte, música e arquitectura em relação num contexto urbano determinado, Corviale and Ostiense, (Rome 2002), Urban Interference (Bruxelles, 2003); Wayleave International magazine exhibition (Rome, Bologna 2003-2006); Loop – Art and the microeconomy (Rome 2005); Busan Biennale (Busan – Korea 2006); Editing (Gorizia, Rome, 2005-2007).


Tuesday, 16 October 2007


Although abstract in nature, the following proposition is based on hands-on experiences that I gained as programme officer of the European Cultural Foundation ( and as coordinator of the ALMOSTREAL project ( Furthermore, some key formulations (difference, deterritorialisation, becoming) are loosely related to the work of the French philosopher Gilles Deleuze. In this respect, particularly relevant source is his book “Proust and Signs”.
Practice of difference is NOT a violent re-assertion of incompatible and incommensurable identities in a state of collision with each other. On the contrary, practice of difference is a dynamic process of diversification that, instead of proceeding from identity, is constantly and inconclusively moving away and toward it without ever reaching the point of stability. Difference is, in other words, not a result of multiplied identities because it is, in ontological terms, “coming before” it. So, if diversity, in a globalized world is to supplement sameness as a traditional constitutive element of culture, ontology of identity which rule western thought for thousands of years need to be re-shaped into an ontology of difference. This can be done only through the persistent practice of deterritorialisation that implies strategies such as systematic destabilisation of identities and continuous motion of cultural, political and personal in-between-ness. The uncertain movement of Be-coming (difference) needs to keep anticipating static sovereignty of Being (identity) without ever reaching it. As such, the ongoing movement of be-coming is the real source of existential, social and cultural creativity, and that’s where we are arriving at the concept of art. Artistic process and practice of difference are essentially related. Both in their working procedures and outcomes, artists depend on an ongoing attempt to deterritorialise themselves.
Contrary to the conventional belief, “good art” (to a degree in which it is different from the pure demonstration of skill - artistry) is not an expression of the fixed identity, however excellent or fulfilling this identity seems to be. Art is an active exercise of difference. If it is telling us anything at all, the artistic gesture should be interpreted as a fleeting expression of an imaginative flight beyond fixed territory, identity and meaning. Furthermore, while being a testimony-relic-trace of deterritorialisation attempted by the artist himself, art work is also an active attempt to trigger a motion of in-between-ness in us, as observers, to destabilise our artificial certainties and set us on the journey of be-coming something/somebody else than who we think we are. In other words, by being creative, artists try to make us creative as well. If we assume that the practice (and ontology) of difference is the proper conceptual instrument necessary to transform the proliferation of diversities into a positive cultural force, and if we acknowledge that artistic activity, both in its procedures and its outcomes, is based on this ontology, then we can conclude that ethical value of cultural diversity and the aesthetical value of arts are overlapping at this point of ontological convergence. Social engagement (ethics) of art is related to its quality to a degree to which this quality can be articulated as a practice of difference.

Igor Dobricic studied dramaturgy at the Academy of Dramatic Arts in Belgrade, (former) Yugoslavia, left the home country at the beginning of the Balkan wars and lived and worked for three years in Melbourne, Sydney and Brisbane, Australia, then returned to Belgrade and became dramaturge for the Belgrade International Theatre Festival (BITEF). In 1995, over a period of four years, he embarked on an experimental performance work with a group of teenagers, systematically exploring the parameters of performative action in-between the different fixed contexts (theatre and visual arts, professional and non-professional status, individual and group work, aesthetics and ethics, etc). During 1998 he was a grantee in an art project funded by the European Cultural Foundation ( In the summer of 1999 he became coordinator of the Arts Programme at the European Cultural Foundation and moved to Holland. Admitted to the postgraduate course at the De Amsterdamse School for Advanced Research in Theatre and Dance Studies (DasArts) (, during which he created a number of installations and solo performances. In May 2004, along with a group of artists he established the TIME Foundation, a platform for international interdisciplinary artistic collaboration focusing on forging links with those regions that are, mostly because of their political status, excluded from the ongoing processes of exchange. Throughout 2005 he developed a new project platform for the European Cultural Foundation (ALMOSTREAL) and collaborated as a dramaturge with a number of choreographers, such as Nicole Beutler, Keren Levi, Nora Heillman, Diego Gil, Katrina Brown, among others. His Current curatorial and dramaturgical work explores the vital and complex relationship between arts and phenomena of Otherness, while also looking into the possibilities and limitations of the dramaturgical-structural contribution to the production of non/meta-verbal theatre.


Embora abstracta por natureza a proposta que se segue baseia-se na experiência prática que adquiri enquanto responsável pelo programa da European Cultural Foundation ( e enquanto coordenador do projecto ALMOSTREAL ( Por outro lado, algumas formulações importantes (diferença, desterritorialização, devir) podem ser livremente associadas ao trabalho do filósofo francês Gilles Deleuze. A este respeito; uma fonte particularmente relevante será o seu livro “Proust and Signs”. A prática da diferença NÃO é a constatação violenta de identidades incompatíveis e incomensuráveis, em estado de colisão entre si. Pelo contrário, a prática da diferença é um processo dinâmico de diversificação que, em vez de proceder a partir da identidade, constantemente e inconclusivamente se afasta e se aproxima dela sem nunca atingir o ponto de estabilidade. Por outras palavras, diferença não é o resultado de identidades múltiplas porque, em termos ontológicos significa ‘aparecer antes’. Por isso, se a diversidade, num mundo globalizado, é suposto suplementar a uniformidade enquanto elemento constitutivo tradicional da cultura, a ontologia da identidade que impera no pensamento ocidental há milhares de anos, precisa de ser reformulada numa ontologia da diferença. Isto pode ser feito apenas através de uma prática persistente de desterritorialização que implica estratégias como a sistemática desestabilização das identidades e a contínua movimentação do intersticial cultural, político e pessoal. O incerto movimento de Be-coming/Devir (diferença) precisa de antecipar continuamente a estática soberania do Being/Ser (identidade) sem nunca a atingir. Enquanto tal, o contínuo movimento do devir é a verdadeira fonte da criatividade existencial, social e cultural, e aqui é que nos aproximamos do conceito de arte. O processo artístico e a prática da diferença estão essencialmente interligados. Tanto nos seus procedimentos como nos seus resultados, os artistas dependem de uma tentativa continuada para se desterritorializarem.
Ao contrário da crença convencional, “a arte boa” (na medida em que é diferente da pura demonstração de competência – habilidade) não é uma expressão da identidade fixa, por mais excelente ou satisfatória que esta identidade possa parecer. A arte é um exercício de diferença. Se efectivamente nos diz algo, o gesto artístico deveria ser interpretado como a expressão fugaz de um voo imaginativo para além de um território, identidade ou significado fixos. Além disso, enquanto testemunho-relíquia-rasto de desterritorialização tentada pelo artista ele mesmo, a obra de arte é também uma tentativa actuante para despoletar um movimento de intersticialidade (in-between-ness) em nós, enquanto observadores, para desestabilizar as nossas certezas artificiais e lançar-nos numa viagem em que devimos (be-coming) uma outra coisa/um outro ser que não suspeitávamos. Por outras palavras, ao serem criativos, os artistas tentam tornar-nos criativos também. Se assumimos que a prática (e a ontologia) da diferença é o instrumento conceptual adequado e necessário para transformar a proliferação das diversidades numa força cultural positiva, e se reconhecemos que a actividade artística, tanto nos seus procedimentos como resultados, se baseia nesta ontologia, então podemos concluir que o valor ético da diversidade cultural e o valor estético das artes sobrepõem-se neste ponto de convergência ontológica. O envolvimento social (a ética) da arte relaciona-se com a sua qualidade na medida em que esta qualidade pode ser articulada como uma prática da diferença.

Igor Dobricic estudou dramaturgia na Academia de Arte Dramática de Belgrado, (antiga) Yugoslávia, saiu do seu país no início da Guerra dos Balcãs, tendo vivido e trabalhado em Melbourne, Sydney e Brisbane, na Austrália, durante três anos, após os quais regressou a Belgrado e se tornou dramaturgo para o Festival Internacional de Teatro de Belgrado (BITEF). Em 1995, durante quatro anos, envolveu-se num trabalho de performance experimental com um grupo de jovens, explorando de forma sistemática os parâmetros da acção performativa em diferentes contextos, tais como: o teatro e as artes visuais, o estatuto profissional e não-profissional, o trabalho colectivo e individual, a ética e a estética, etc.). Bolseiro durante 1998 num projecto artístico financiado pela European Cultural Foundation ( No Verão de 1999 tornou-se coordenador do Programa para as Artes da European Cultural Foundation, tendo passado a viver na Holand
a. Ingressou na pós-graduação da De Amsterdamse School em Advanced Research in Theatre and Dance Studies (DasArts) (, durante a qual criou uma série de instalações e performances a solo. Em Maio de 2004, com um grupo de artistas, fundou a Fundação TIME, uma plataforma para colaboração artística internacional, centrada em promover ligações com as regiões que são, maioritariamente devido ao seu estatuto político, excluídas de processos de intercâmbio. Ao longo de 2005 desenvolveu um novo projecto na European Cultural Foundation (ALMOSTREAL) e colaborou como dramaturgo com uma série de coreógrafos, tais como Nicole Beutler, Keren Levi, Nora Heillman, Diego Gil, Katrina Brown, entre outros. O actual trabalho curatorial e de dramaturgia explora a relação vital e complexa entre as artes e os fenómenos de Alteridade (Otherness), ao mesmo tempo que investiga as possibilidades e limitações da contribuição dramatúrgica-estrutural para a produção de teatro não/meta-verbal.